PESQUISE NA WEB

sexta-feira, 3 de julho de 2009

BIOGRAFIA

Gerson Coutinho da Silva (Goiá), filho de Celso Coutinho da Silva e de Margarida Rosa de Jesus, nascido aos 11 de janeiro de 1935, Coromandel - MG, na rua Raul Soares, em uma casa que, claro, muitos anos depois ficou conhecida por "Casa do Períque" e falecido aos 20 de janeiro de 1981 em Uberaba - MG.
Desde bem pequeno gostava de falar também em versos e incentivado pelo pai que, lhe deu o primeiro instrumento musical, uma gaita, logo passou para o cavaquinho e em seguida o violão. Cantou em dupla com vários parceiros da cidade, dentre eles, Anterino Coutinho, o irmão Nelson, Geraldo Telles (Geraldinho do Vigilato), outro irmão José (Zé do Vigilato) animando muitas festas.
Começou a estudar música com o mestre José Ferreira e enquanto não terminava o curso, passou a ser o tocador de bumbo e também em dupla com Miguelinho (filho do “Miguel do Batalhão), cantou em arraiais como Chapadão, Alegre, Mateiro e Santa Rosa, nas primeiras incursões fora de Coromandel. Após uma temporada em Lagamar, foram para Patos de Minas, onde por alguns meses participaram do programa de rádio “Compadre Formiga, porém sempre retornava a Coromandel para matar a imensa saudade de sua terra natal, saudade esta que, futuramente inspiraria a letra de uma música que, é considera um hino do povo brasileiro “Saudade de Minha Terra, gravada e regravada na voz de vários artistas.
Em 1953 partiu para Goiânia, então com dezoito anos de idade, juntamente com o seu pai permanecendo por 2 anos, aprendendo muito, também em todos os sentidos. Formou o "Trio da Amizade", cujo primeiro nome foi “Rouxinol, com vários programas na Rádio Brasil Central. O trio foi o primeiro do estado a gravar disco, também, em São Paulo, foram 2 discos com 78 RPM na antiga Columbia, que depois se tornou CBS.
Após algum tempo morando em Goiás, cultivou imenso carinho especialmente pela cidade de Goiânia, onde deixou grandes amigos como como: Valdomiro (do Bazar Paulistinha ), o popular "Cidão Barbosa", também parceiro de músicas, Marrequinho e tantos outros , terra esta que, originou o apelido “Goiá, que, segundo ele, uma homenagem de agradecimento ao estado de Goiás. Partiu no último dia do ano de 1955, com lágrima nos olhos, mas com a grande meta de conquistar seu sucesso também em São Paulo, o grande eixo do mundo artístico. Antes passou na sua querida Coromandel como forma de tomar um fôlego e de alimentar-se do ar puro da praça da velha igreja de Sant'ana, rever o lindo Poço Verde, pescar no Rio Paranaíba, rever os amigos de infância. Os amigos o esperaram na placa de 5 km e foram também em carreata até Coromandel, onde foi recebido com foguetórios, faixas, festas e muitas cantorias. Era o início de uma nova fase em sua carreira, pois morar em São Paulo já estava definido, Coromandel foi mesmo o oxigênio para enfrentar a nova etapa.
Gravou alguns discos com o "Trio Mineiro" e após uma temporada na Rádio Nacional, nos programas do amigo "Nhô Zé", transferiu-se para a Rádio Bandeirantes, onde foi contratado como apresentador de programas, inicialmente no "Maiador da Fazenda", do amigo e parceiro Zacarias Mourão, e posteriormente lançou o "Choupana do Goiá", além de ser substituto eventual também dos saudosos Capitão Balduino e do Comendador Biguá, em seus tradicionais programas "Brasil Caboclo" e "Serra da Mantiqueira".
Casou-se em 23 de Fevereiro de 1957, às 17:00 horas, com Hilda Alves da Silva, na igreja São Rafael, na Moca, em São Paulo. Hilda é filha de Mariano José da Cunha (Mariano Theodoro) e de Maria Luíza de Jesus, coromandelenses, da família de garimpeiros do Douradinho, "os Theodoro".
Durante toda sua trajetória, de Coromandel a Patos, Goiânia e São Paulo, jamais deixou de compor suas músicas, e através delas, chorava a grande saudade de sua terra, mas, tinha em mente um ideal, e todo ideal exige sacrifícios, de todos, o maior era a ausência prolongada de sua cidade, de sua gente. Ficou por longos 10 anos sem voltar a sua terra natal, Coromandel, pois como todo ser humano que tem seu orgulho próprio, Goiá queria voltar a Coromandel, já consagrado na música sertaneja.
Permaneceu na Rádio Bandeirantes até meados de 1961, durante o período em que a quase totalidade do "cast" sertanejo daquela emissora havia gravado músicas de sua autoria como Pedro Bento e Zé da Estrada, Liu e Léo, as Irmãs Galvão, Zilo e Zalo, Caçula e Marinheiro, Tibagi e Miltinho, Souza e Monteiro, Primas Miranda e outros tantos na atualidade como Milionário e José Rico, Chitãozinho e Xororó, Belmonte e Amaraí, Sergio Reis, Clayton Aguiar, João Renes e Reni.
Foi para a Rádio 9 de Julho (ainda como apresentador) a convite do Geraldo Meirelles e Zé Claudino, lá ficando por 2 anos, durante o período em que se despediu, e depois de uma curta temporada com Zacarias Mourão na Rádio Excelsior, decidiu dedicar-se inteiramente às composições. Com exceção de alguns meses como "free-lancer" na Rádio Nacional, no programa "Biá e seus Batutas", nunca mais voltou a apresentar programas, tendo se dedicado, de corpo e alma, aos seus versos.
Um dia, para a alegria do povo de Coromandel, a dupla, Goiá e Biá, grava o seu primeiro LP, com todas as composições de Goiá, e muitas falando de Coromandel e do Estado de Goiás, sendo que nesta época o seu parceiro e "cunhado" era bem conhecido na música sertaneja, através da dupla "Palmeira e Biá", assim concretizando de vez os seus sonhos no âmago de sua alma. Assim, Goiá mostrou a sua familiaridade com o violão, pois tinha uma impressionante capacidade de musicar, não somente suas letras como também de muitos parceiros seus, vestindo a cada dia uma roupagem nova na "Música-Política-Sertaneja". E, sempre acompanhado de grandes personalidades da época, Goiá viveu dias intensos de viagens e shows por todo Brasil.
Mas nem tudo foi um "mar de rosas". Além das dificuldades que, todos enfrentam neste País, ele tinha também o seu lado de esposo e pai, sempre mostrando um carinho muito grande pela sua família, já composta de três filhos: Róbson, Myre e Hilger; e aí passou a ver o lado financeiro de suas músicas, pois até então, de direitos autorais, pouco recebia, devido a não regulamentação desse direito no Brasil. Como exemplo, Goiá compôs a Trilha Sonora do filme "A Vingança de Chico Mineiro", onde quase nada recebeu por um grande trabalho de uma qualidade indiscutível.
Por volta do ano de 1971, começa um tempo negro em sua vida; Goiá passou a ser portador de Diabetes, e como ele mesmo dizia, abusava de sua saúde, não se alimentando corretamente, passando longos períodos de viagens e cantorias, ficando até três anos sem fazer um exame de sangue sequer.
Foi em Dezembro do ano de 1979, nos exames realizados Uberlândia - MG, que, ficou comprovado: além do açúcar no sangue, Goiá era portador de "Cirrose Hepática", já bem acentuada, "Ascite", água no Piritônio. De volta a São Paulo, começou a corrida aos hospitais na tentativa de estacionar a cirrose, e com isso ele perdia peso assustadoramente. Foi durante o período também que em Novembro de 1980, já vivendo praticamente só de cama, transferiu-se para Uberaba, ficando mais perto de Coromandel, podendo ser visitado freqüentemente pelos seus conterrâneos, trazendo para si, forças para continuar, mesmo acamado, a escrever suas canções.
Nos últimos anos de sua vida, Goiá já escrevia para o estilo sertanejo moderno e de igual era gravado por Chitãozinho e Xororó, João Mineiro e Marciano, César e Paulinho, Milionário e José Rico, Duduca e Dalvã, Chico Rey e Paraná e muitos outros.
No dia 20 de Janeiro de 1981, às 8:00 horas da manhã, morre em Uberaba - MG, aos 46 anos de idade, e seu corpo foi levado para Coromandel e esperado por uma multidão de pessoas, exatamente na Placa de 5 km, onde outrora fora sempre esperado pelo seu povo. Seu corpo foi velado na igreja de Sant'ana e sepultado no Cemitério Municipal de Coromandel, no dia 21 de Janeiro. No seu túmulo, ficou escrito o que humildemente pediu em uma de suas canções, mostrando mais uma vez a sua natureza humana: "A humildade era o meu gesto maior".
Algumas músicas de Goiá: Saudade de Minha Terra, Canção do Meu Regresso, Coromandel, Saudade de Coromandel, Última Esperança. (Fonte: Wikipédia)

16 comentários:

  1. Sou conterrâneo e admirador do Goiá, desde 1970, quando em Coromandel o conheci. Foi quando ele escreveu a "Canção do meu regresso". A partir daí passei a ouvir e apreciar as belas poesias do Poeta Goiá. no Ano 2000 eu compus e gravei em um CD Estou Voltando, um tributo singelo que dei o título de "Ao amigo Goiá". Goiá passou ser o meu parceiro espiritual. Quem interessar pelo meu CD, onde gravei também Tô voltando pro Coró, o meu endreço eletrônico é jotamachado2@gmail.com e o meu celular (61)9954-3254. Jotamachado ou Lázaro. Um abraço saudoso.

    ResponderExcluir
  2. Meu caro André Luiz. Esse nome, com certeza, tem muito a ver com a espiritualidade. Seus pais devem ter se inspirado no iluminado espírito André Luiz. Meu caro, temos muto em comum.Sou também Administrador e Contador e grande admirador do poeta Goiá. Como conterrâneo de Gerson Coutinho, venho apresentar-lhe meus agradecimentos pelo belo trabalho de sua autoria.Temos que manter viva essa chama. Goiá não pode morrer nunca. No primeiro verso do meu tributo ao amigo goiá eu falo assim: "Suas canções que o Brasil inteiro canta, minh'alma encanta sua imagem está presente. Gerson Coutinho, nosso poeta Goiá, sei que de onde você está você vai cantar com a gente", Final: Ainda ouço a canção do meu adeus,e rogo a Deus pelo nosso menestrel; nossa homenagem ao poeta mais famoso, o diamante mais formoso lá do meu Coromandel".Fraternalmente, Lázaro (JoTamachado)

    ResponderExcluir
  3. Lázaro,
    Primeiramente me perdoe só agora ter lido seus comentários. Aterafado que estou com o trabalho e ainda a dedicação aos outros blogs, e por uma falha da administração do Blogger em não enviar para o meu e-mail as mensagens, não os havia visto antes.
    Obrigado pelo seu carinho e por dividir comigo sua experiência e contato com Goiá. Sou filho de Conquista e meu pai é de Araguari. Meu falecido tio Lélio Brasil, foi quem me ensinou as canções de Goiá, e até hoje, em nossas reuniões de família nos pegamos às lágrimas cantando suas canções e relembrando tantas passagens em família. Em breve farei contato com você para estreitarmos essas coisas em comum. Sou espírita sim, e mesmo sem querer meus pais acertaram na escolha, talvez prevendo minha futura crença e modo de vida.
    Abraço fraterno meu amigo.
    André Amui

    ResponderExcluir
  4. Rogério Rodrigues da Silva14 de maio de 2010 21:57

    Sou de uma região distante. Moro em Janaúba-MG. Mas desde criança sempre gostei demais da música sertaneja. Sempre ouvia as nossas duplas sertanejas, nas suas apresentações, pronunciarem esse nome: "música de nosso amigo Goiá" e mais tarde: "música do saudoso Goiá". Gostava das músicas e achava interessante esse nome: "Goiá". Até que descobri, através do colega de trabalho Paulo Araújo Queiroz, quem é e de onde veio o Goiá: Coromandel. Pois agora em março, quando nos encontramos em BH o Paulo me presenteou com um CD repleto das músicas desse grande compositor. Que belo presente, Paulo!Muito obrigado! Lindas as músicas e lindo o sentimento de amor que o artista Goiá nutria pela sua terra natal!Agora espero que você e todos venham conhecer Janaúba, a terra do treinador de futebol Hélio dos Anjos e do grande ator Jacson Antunes. Aqui também está um dos maiores projetos de irrigação da América Latina, o Projeto Jaíba, com aproximadamente 20.000 hectares de área irrigada atualmente, com projeção para chegar aos 100.000 hectares!

    ResponderExcluir
  5. Meu caro Rogério, obrigado pela sua visita e sinta-se a vontate para sempre comentar o que quiser, me enviar sugestões, etc. Não conheço pessoalmente Janaúba, mas já ouvi muito sobre sua terra. Grande abraço.

    ResponderExcluir
  6. não existem mais compositores como goiá. por onde ele estiver com certeza deus estará contigo!

    ResponderExcluir
  7. Parabens, pelo Blog.Tambem sou blogueiro além de achar que sou ajuntador de versos sertanejos.Tive a honra e o privilégio de ter sido amigo do inigualável Goiá. O melhor entre todos nós, compositores sertanejos. Ele era mais que nós, era POETA. Continue fazendo postagens sobre nossa gente sertaneja, por favor.
    Marrequinho

    ResponderExcluir
  8. Gostaria muio de comprar a discografia original do goia.... gosto muito...falecomobrito@hotmail.com
    se puder me indicar onde eu compra, fico muito grato....

    ResponderExcluir
  9. ANDRÉ, é de grande valor essas referências sobre o não compositor goiá, mas, sim, o GRANDE "POETA GOIÁ". Sou um humilde estudioso da música sertaneja autêntica e não desses besteróis criados por duplas como zezé amargo e atropelando, luan merdana, feionando e soroAcaba, sem contar com as idiotices que estão no mercado como naldo sem caldo e anita que grita. Parabéns!...

    ResponderExcluir
  10. O comentário acima sobre o POETA GOIÁ, foi escrito por mim, que esquecí de colocar meu nome. Moro em Brasília -- Abilio Pinto -

    ResponderExcluir
  11. fui amigo e parceiro. hoje eu leciono musica e ensino escrever melodias, o que chamam modas sertaneja. sou Dico moro em Piracicaba SP (19) 981792514

    ResponderExcluir
  12. Uma dupla de meninas chamada Lorena e Rafaela gravou músicas dele. Ficou a coisa mais linda desse mundo. Elas cantaram algumas em um programa de TV também. Quem quiser ver tem uns no link https://www.youtube.com/playlist?list=PLQhh2RIE-rYyoNOs894Lf-lwmGT2biUF_

    ResponderExcluir
  13. Sou coromandelense e compositor sertanejo, me inspiro muito nas rimas e melodias do Goyá.. para mim o maior compositor sertanejo de todos os tempos..morre o homem..mas sua história permanece viva através de suas obras..!

    ResponderExcluir
  14. Ainda vou conhecer Coromandel distante 500 km de onde moro, na minha viagem quero ir ouvindo as musicas do Goiá.

    ResponderExcluir